Seleccionar página

Entrevista Mayara Lista – Designer, Ilustradora, Quadrinista – Brasil

Versión Español Link


– Me conte um pouco sobre você, Mayara Lista.

M.L : Ser leitora de histórias em quadrinhos desde pequena foi decisivo para que eu me interessasse no estudo do desenho, no mercado editorial e de animação. Amo o que eu faço, por isso mesmo quando não estou trabalhando continuo cercada por livros e quadrinhos e até comecei a fazer aulas de dança.

Eu moro no Rio de Janeiro, no último ano me graduei em design e hoje trabalho como designer, ilustradora, capista e também sou quadrinista. Entre 2014 e 2015 consegui uma bolsa de estudos no curso de ilustração na Kingston University, em Londres. Nesse período visitei dezenas de museus onde pude ver ao vivo obras de artistas que me inspiram até hoje, desenhei muito em meus caderninhos e ampliei meus horizontes sobre a arte num geral. Voltei ao Brasil mais atenta a diversidade cultural de meu país e desde então procuro manter esse olhar presente em meus projetos

entrevista mayara lista quadrinhos

– Quais são as suas principais influências artísticas?

M.L :  Sou muito fã dos quadrinhos japoneses, especialmente das histórias da Hiromu Arakawa e da Rumiko Takahashi, ela foi minha primeira grande influência. Me encanta a forma como a Rumiko usa elementos tão específicos da cultura japonesa para contar histórias que pessoas do mundo todo sejam capazes de se identificar. Amo o traço dos quadrinistas Cyril Pedrosa, Jen Wang, Jorge Gonzales e do designer de personagens Carter Goodrich. No desenho e na pintura Sargent e Schiele também são referências recorrentes. As animações do Studio Ghibli e do diretor Makoto Shinkai me influenciam bastante como narrativa. Atualmente, minha obsessão literária é a escritora Elena Ferrante.

– Como você poderia definir o seu estilo gráfico?

M.L :  Considero meu trabalho em perpétuo estágio de mudança por isso é difícil defini-lo. Estou constantemente testando novas abordagens de estilo e materiais e sempre acabo incorporando uma novas características ao meu trabalho. Recentemente as pessoas tem me falado que meus desenhos são muito expressivos e dinâmicos, que lembram desenhos animados. Acho que isso é reflexo das coisas que eu faço fora do papel, no caso, das minhas aulas de dança (um hobbie recente mas que afetou totalmente minha forma de desenhar) e do meu interesse no mercado de animação.

– Como é o seu dia de trabalho?

M.L :   Desde o início do ano estou trabalhando como freelancer em casa. Acordo pela manhã, leio e respondo e-mails, ponho algum podcast pra tocar (sou completamente viciada) e começo a trabalhar no projeto da vez. Depois do almoço continuo trabalhando e no fim do dia tento deixar um tempinho para produzir trabalhos pessoais, ler e ir para aula de dança. Muitas vezes acabo me empolgando tanto com um projeto que fico desenhando até tarde da noite.

– Após revisar os sketches publicados no seu instagram, gostaríamos de saber a importância deles no seu processo de trabalho?

M.L :   São a parte mais divertida do processo e uma forma de estudo pra vida toda! Eu adoro desenhar sem rumo, ligo uma música no Spotfy ou um Podcast e deixo rolar. Quando estou trabalhando em algum projeto essa é a parte mais crua, mas que me dá mais liberdade para testar diferentes abordagens, composições e estilos. Normalmente faço esses sketches em meus caderninhos. Eles também são muito úteis quando estou fora de casa e tenho uma ideia ou vejo algo que me desperta interesse. É bom ter sempre um sketchbook a mão para registrar esses pensamentos gráficos e ter a liberdade de rabiscar por diversão, mesmo que não pareça ter sentido algum.
As melhores ideias acabam nascendo daí e eu gosto de registrar as algumas páginas no meu blog: https://listasketchbooks.tumblr.com

entrevista mayara lista quadrinhos

– Me conte sobre o seu trabalho como storyboarder e designer de personagem para animação.

M.L :  Na prática esse é um campo que eu comecei a explorar recentemente, muito do que sei vem do meu background como leitora de histórias em quadrinhos e da minha formação como designer e ilustradora. No último ano trabalhei no storyboard de um clipe animado e aos poucos estou me especializando em design de personagem.

– Me conte sobre “Naruna”, história que você escreveu, ilustrou e editou.

M.L :   Naruna” é o meu primeiro quadrinho lançado de forma independente e viabilizado através de financiamento coletivo. Essa história foi criada em 2017 como meu projeto final de graduação em Comunicação Visual Design na UFRJ. Na época eu quis unir duas áreas que eu amava e que queria pesquisar mais: imaginário popular brasileiro e história em quadrinhos. Nas minhas pesquisas acabei tropeçando nas carrancas brasileiras.

As carrancas são figuras de proa feias e assustadoras que, segundo a crença das populações que vivem na beira dos rios, servem para amedrontar as criaturas do rio e proteger os barcos de naufrágios. Dessa mistura nasceu “Naruna”, a história sobre uma aprendiz escultora de carrancas que só consegue fazer carrancas bonitinhas, mas que precisa encontrar uma forma de fazer uma carranca que assuste de verdade.

Foi um processo árduo, pois precisei assumir todos os papéis na produção: fui roteirista, ilustradora e editora. Dar vida a essa história por todos esses ângulos me ensinou muito. Meu desejo com esse quadrinho é que novas narrativas possam nascer de velhas histórias do imaginário brasileiro e ajudem a conservá-lo e difundi-lo.

entrevista mayara lista quadrinhos

– Como foi a sua experiência participando de eventos como FIQ 2018 e outros mais pequenos como eventos de fanzines? Como tem sido o contato com as pessoas (leitores) ao vivo?

M.L :   O FIQ 2018 foi simplesmente incrível! Amei cada minuto! A primeira vez que fui a um evento desse tipo foi na edição de 2015 do FIQ, na época eu e minha parceira de mesa, Paula Cruz, visitamos o evento sem expectativas e saímos de lá com o sonho a de sermos expositoras na próxima edição do festival. Nesse meio tempo participei de algumas feiras de arte e impressos, adoro o clima desses eventos, sempre encontro amigos e conheço novos artistas.

Em 2018 o sonho de retornar ao FIQ como expositora se concretizou e não poderia ter sido melhor. Lancei “Naruna” e “Hoje eu durmo cedo”, quadrinho feito em parceria com a Paula e publicado pelo nosso selo Farpa. Conheci artistas de quem sou muito fã e recebi os melhores feedbacks de crianças e adultos. É muito legal ter esse contato com os leitores e ver as reações espontâneas que eles têm ao folhear o material ao vivo!  Teve gente que interpretou “Naruna” de formas que eu nem havia previsto.  É fantástico ver meu trabalho ganhando novas leituras.
Outra coisa bacana que aconteceu no FIQ foi a divulgação boca-a-boca, várias pessoas visitaram minha mesa por indicação de amigos. Isso é impagável!

– O que você acha das novas gerações de talentosas mulheres quadrinhistas do Brasil?

M.L :  As quadrinistas brasileiras estão mostrando que não vieram para brincadeira. Nos eventos de quadrinhos são elas que estão por trás dos materiais mais ousados e originais que tenho visto. Mesmo sem o devido apoio e reconhecimento merecidos essa leva de artistas já se mostrou capaz de produzir narrativas em qualquer gênero, temática e estilo. Por isso acho que essas mulheres vão dar uma nova cara ao quadrinho brasileiro, e isso já começou a acontecer. Ver cada vez mais mulheres nesse meio é inspirador e me orgulho de fazer parte desse momento.

– Quais são os seus planos para 2019?

M.L :  Quero me inserir mais no cenário da animação brasileira, principalmente no design de personagens. Além disso, planejo lançar outras histórias em quadrinhos e já tenho alguns projetos no forno com o selo Farpa. Também tenho planos de voltar a estudar e fazer mestrado.

– O que você sabe de nosso país Chile e dos autores e quadrinhos locais?

M.L :  Conheço bem pouco dos quadrinhos chilenos. Sei da existência do Condorito apesar de nunca ter lido, mas conheço o trabalho do Alberto Montt e já li algumas de suas tiras. Meu contato mais próximo é com o ilustrador Gonzalo Cárcamo, aquarelista chileno que mora aqui no Brasil e que tive a oportunidade de conhecer em uma de suas oficinas de aquarela. É um artista fenomenal e um dos meus aquarelistas preferidos. Espero um dia visitar o Chile e pintar aquarelas em meus sketchbooks por aí!

– Muito obrigado pela entrevista.

M.L :  Foi um prazer! 🙂

https://mayaralista.com.br
https://listasketchbooks.tumblr.com
https://www.facebook.com/lista.mayara/
https://www.instagram.com/mayaralista

entrevista mayara lista quadrinhos

entrevista mayara lista quadrinhos

entrevista mayara lista quadrinhos

Equipo de entrevistas Roboider Chile